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Mulheres no Antigo Egipto

Artigo

Joshua J. Mark
por , traduzido por Cláudia Barros
publicado em 04 Novembro 2016
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Texto original em inglês: Women in Ancient Egypt

Um dos valores centrais no Antigo Egipto era a Ma'at - conceito que ditava a harmonia e equilíbrio na vida de um egípcio. A Ma’at era um dos principais deveres do Faraó, que enquanto mediador entre Deuses e humanos, tinha de ser um modelo a seguir guiando-se sempre pelos ensinamentos da Ma'at. A arte, a arquitetura, a religião e a máquina governamental tinham de obrigatoriamente de exibir uma perfeita simetria de equilíbrio; o mesmo sucedia com os papéis de cada indivíduo.

Egyptian Royal Woman
Egyptian Royal Woman
by bstorage (Copyright)
No Antigo Egipto, as mulheres eram iguais aos homens, exceto nas ocupações e trabalhos. Os historiadores Bob Brier e Hoyt Hobbs mostram o quão o sexo feminino partilhava desta a igualdade de género: “Os homens lutavam, dedicavam-se ao governo e geriam as suas propriedades agrícolas; as mulheres cozinhavam, costuravam e tratavam da casa" (89). Os homens tinham posições de poder - rei, governador, general - e eram considerados como a autoridade dentro das casas. No entanto dentro deste patriarcado, as mulheres possuíam algum poder e independência. A egiptóloga Barbara Watterson diz-nos:

No Antigo Egipto uma mulher disfrutava dos mesmo direitos que um homem, os quais dependiam da classe social e não do sexo. As propriedades passavam pela linha feminina, de mãe para filha. Uma mulher tinha o direito de gerir a sua própria propriedade e dispor dos seus bens quando quisesse. Ela podia comprar e vender, entrar em contratos legais, participar em testamentos, entrar com uma ação contra a Corte ou até adotar uma criança e dar-lhe o seu próprio nome. Uma egípcia daquele tempo era legalmente capaz. Em contraste com a mulher grega, que vivia com a supervisão de um guarda costas masculino - kyrios. Algumas mulheres gregas que viveram no Egipto, durante o Período Ptolomaico, ao observarem as egípcias, sentiram-se encorajadas a terem o mesmo estilo de vida. Resumindo, a mulher egípcia disfrutava de um status social bem mais elevado que muitas outras, tanto em sociedades antigas, como em modernas. (16)

O respeito concedido à mulher é evidente em qualquer aspeto desta civilização, desde as crenças religiosas aos costumes sociais. Os deuses eram masculinos e femininos, tendo cada um o seu papel e a sua importância. As mulheres podiam casar com quem desejassem e divorciar-se, podiam ter qualquer emprego - dentro dos limites - e viajar. Os primeiros mitos da criação enfatizam, em maior e menor grau, o valor do feminino.

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O Divino Feminino

No mito da criação mais conhecido, o deus Atum ilumina a colina primordial no meio das águas turbulentas do Caos e começa a criar o Mundo. Em algumas versões, contudo, é a deusa Neith quem traz a Criação, e mesmo tendo Atum como o personagem central, as águas primordiais são personificadas como Nu e Naunet - o equilíbrio dos princípios masculino e feminino, que combinando-se em harmonia contribuem para o desabrochar do Mundo.

No início dos tempos, as mulheres continuam a ter um papel de pivot como evidenciado no mito de Ísis e Osíris. Estes dois irmãos-amantes, formam um par e governam o Egipto após a criação do Mundo, ensinando aos humanos os preceitos da civilização, da arte da agricultura, o culto aos Deuses. Osíris é morto pelo irmão, Set, e é Ísis quem o traz de novo à vida, dando à luz Hórus, seu filho. Juntamente com Nephthys e outras deusas – Serket e Neith – restaura novamente o equilíbrio terreno, após o cruel ato de Set.

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Isis Wall Painting
Isis Wall Painting
by The Yorck Project Gesellschaft für Bildarchivierung GmbH (GNU FDL)

A deusa Hathor, enviada à Terra como a deusa destruidora Sekhmet para punir as transgressões terrenas, torna-se amiga e companheira íntima dos humanos depois de beber cerveja e acordar com um espírito mais alegre. Tenenet, a deusa da cerveja, concebida para ser a bebida dos deuses, forneceu ao povo egípcio a sua receita e supervisionou o seu fabrico. Shay era a deusa da palavra escrita e dos bibliotecários, Tayet a deusa da tecelagem, Tefnut a deusa da humidade. Até a passagem de ano era vista como sendo uma entidade feminina, personificada em Renpet, que entalhou o seu ramo de palma para marcar a passagem do tempo. A deusa Bastet. uma das mais populares, era a protetora das mulheres, das casas e dos segredos femininos. A religião egípcia honrou e elevou o feminino, o que não surpreende a colocação da mulher em cargos relacionados com o clero e os templos.

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Mulheres e a Religião

A posição mais importante que uma mulher poderia ocupar, surgirá no Império Médio (2040-1782 AEC), o cargo de Esposa do Deus Amón. Havia muitas "Esposas de Deus" associadas às diferentes deidades. Inicialmente no Império Médio, o título de Esposa do Deus era um entre muitos. Era um título honorário, dado inicialmente a uma mulher de qualquer classe, que mais tarde se restringe aos estratos mais elevados. Com ele era possível auxiliar o sumo sacerdote durante as cerimónias e cuidar da estátua do deus. Ao longo do Império Novo (1570-1069 AEC) esta posição ganha ainda mais prestígio. No Terceiro Período Intermédio (1069-525 AEC) o título de Esposa de Amón confere o poder de um rei concedendo a hipótese de governar o Alto Egipto. Durante este período, a mais famosa mulher que disfrutou dele foi Hatshepsut (1479-1458 AEC), apesar de existirem muitas outras antes e depois dela.

Portrait of Queen Hatshepsut
Portrait of Queen Hatshepsut
by Rob Koopman (CC BY-SA)
 

As mulheres podiam ser escribas e também sacerdotisas de um culto relacionado com divindades femininas. Os sacerdotes de Ísis, por exemplo, podiam ser tanto do sexo feminino, como masculino, enquanto que os cultos ligados a deidades masculinas apenas eram dirigidos por homens – como o caso dos sacerdotes de Amón. O grande prestígio do título de Esposa de Amón é um exemplo do equilíbrio observado nos cargos do Antigo Egipto, que compartilhava a sua importância com o Sumo Sacerdote de Amón.

Convém sublinhar que a designação de 'culto' na religião egípcia não carrega o mesmo significado que nos dias atuais. Um culto no Antigo Egipto era o equivalente a uma seita nas religiões modernas. É também importante reconhecer que não existiam serviços religiosos como os que podemos observar atualmente. Os egípcios interagiam com as divindades em festivais, durante os quais as mulheres tinham um papel fulcral no momento de representar duas virgens durante As Lamentações de Ísis e Nephthys, nos festivais de Osíris. Enquanto que os sacerdotes geriam os templos e tratavam da estátua do deus, os crentes visitavam-no para obterem resposta às suas preces, aliviarem as dívidas, agradecer pela ajuda, procurar apoio e conselho para problemas, decisões e interpretação de sonhos. 

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Os sonhos eram considerados como portais para a Vida no Além, a maneira através da qual os deuses e os mortos comunicavam com os vivos .Contudo, grande parte das vezes não eram muito explícitos. Intérpretes qualificados eram constantemente chamados para interpretarem os sonhos e seus significados. A egiptóloga Rosalie David comenta que:

Nos textos de Deir el-Medina, existem referências a 'mulheres sábias’ e ao papel que desempenhavam a adivinhar eventos futuros e os seus porquês. Tem vindo a ser sugerido que tais videntes eram um aspeto essencial da religião durante o Império Novo e muito possivelmente até antes. (281)

Tais mulheres eram adeptas da interpretação dos sonhos e sendo, supostamente, capazes de o fazer. Os únicos relatos que nos chegaram acerca de sonhos vêm de fontes masculinas, Hor de Sebennytos e Ptolemaios, filho de Glaukius. Apesar disso, algumas inscrições indicam que as mulheres eram primeiramente consultadas nestas matérias. David continua, "Alguns templos eram reconhecidos como centros de incubação de sonhos, nos quais a pessoa podia passar a noite numa estrutura anexa ao templo, comunicar com os deuses e os parentes falecidos, de maneira a conseguir obter uma espécie de visão acerca do seu futuro" (281). O mais famoso encontrava-se anexo ao Templo de Hathor em Dendera, no qual o clero era quase exclusivamente feminino.

The Temple of Hathor
The Temple of Hathor
by Steve F-E-Cameron (CC BY-SA)

Ocupações das mulheres

O clero do Antigo Egipto disfrutava de um grande respeito e um estilo de vida muito confortável. Desde o Período Pré-dinástico (c. 3150-2613 AEC) até à Época Baixa (525-332 AEC), que a história egípcia abunda em registos clericais, mais especificamente relativos a Amón. Para se tornar sacerdote, primeiramente era necessário ser-se escriba, o que requeria anos de estudo. Uma mulher que se formava como escriba poderia ascender ao sacerdócio, ou seguir pela via do ensino ou pela Medicina. As médicas eram muito respeitadas na sociedade egípcia, e a escola médica de Alexandria era frequentada por estudantes de vários países. Agnodice, uma médica grega, rejeitou formar-se em Atenas devido ao seu sexo, preferindo estudar no Egipto por volta do século IV AEC, quando regressa a casa vem disfarçada de homem para poder exercer. 

Como o curso de escriba era longo e árduo, poucas pessoas optavam por o escolher. Normalmente quem o escolhia eram indivíduos que já vinham de famílias de escribas, onde se prezava em muito a alfabetização e se esperava que os filhos seguissem a profissão dos pais. Vemos então as mulheres a trabalharem como tecedeiras, pasteleiras, cozinheiras, empregadas ou como "Donas de Casa" – o que hoje equivaleria a possuir uma propriedade. Quando o marido morria, ou quando o casal se divorciava, a mulher podia manter a casa na sua posse e geri-la. Este aspeto de igualdade de género é espantoso quando se comparam com os direitos das mulheres nos últimos 200 anos. Uma viúva na América do século XIX, por exemplo, não tem quaisquer direitos de propriedade estando obrigatoriamente dependente de um parente do sexo masculino em situações de morte ou separação. No Antigo Egipto, a mulher decidia por ela própria como ganhar dinheiro e como manter as suas propriedades. James C. Thompson diz-nos:

Existiam muitas maneiras através das quais uma "Dona de Casa" podia completar os seus rendimentos. Algumas tinham pequenos jardins onde cultivavam vegetais. Outras faziam roupa. Um documento refere uma mulher empreendedora que compra um escravo por 400 deben. Esta consegue pagá-lo em metade com roupas e o restante por empréstimo dos vizinhos. É possível que tenha conseguido pagar o empréstimo alugando o escravo. De facto, há um recibo que comprova que uma mulher recebeu várias roupas, um touro e dezasseis cabras como pagamento por 27 dias de trabalho do seu escravo. Aqueles que não conseguiam juntar dinheiro por eles próprios, recorriam muitas vezes a vizinhos ou conhecidos para comprarem um escravo. Era muito comum as mulheres fazerem parte deste consórcio. Sabemos que uma mulher poderia herdar e gerir uma grande propriedade. Um homem que possuísse a sua própria propriedade contrataria um escriba para a gerir, e seria mais do que legítimo que uma mulher fizesse o mesmo. Temos algumas evidências de uma elite feminina com trabalhos remunerados, quer em part time, quer a tempo integral. (3)

As mulheres talentosas podiam arranjar trabalho como concubinas. Uma concubina não era simplesmente uma mulher relacionada com práticas sexuais, mas sim alguém talentoso em áreas como a música, a tecelagem, a moda, a cultura, a religião e as artes. No entanto, isto não quer dizer que a sua aparência não tivesse importância. Um pedido de 40 concubinas de Amenhotep III (c.1386-1353 AEC) a um homem chamado Milkilu, Princípe de Gezer, torna isto mais claro. Amenhotep III escreve:

Eis que te enviei Hanya, comissário dos arqueiros, com mercadorias a fim de ter belas concubinas tecedeiras. Prata, ouro, roupas, todo o tipo de pedras preciosas, cadeiras de ébano, assim como as melhores coisas, valendo 160 deben. No total: 40 concubinas - o preço de qualquer concubina é quarenta moedas de prata. Assim sendo, envia-me belas concubinas sem defeito. (Lewis, 146)

Estas concubinas estavam na posse do faraó habitando o seu harém e, no caso de Amenhotep III, encontravam-se bem guardadas no palácio de Malkata, um dos mais opulentos da história egípcia. O rei era considerado como merecedor de muitas mulheres, desde que permanecesse fiel à sua mulher, a Esposa Real, e cuidasse dela. Para a maioria dos egípcios o casamento era monogâmico e vitalício.

Amor, sexo e casamento

Como sublinhado por Watterson acima, a mulher era considerada legalmente capaz, não necessitando de qualquer tipo de supervisão, consulta ou aprovação de um homem para tomar qualquer decisão. Este paradigma aplicava-se desde o casamento ao sexo. As mulheres podiam casar com quem escolhessem, sendo que não existia a ideia de um casamento arranjado pelos familiares; podendo ainda divorciar-se sempre que desejassem. Não havia nenhum estigma relacionado com o divórcio, no entanto era sempre preferível um longo casamento. Brier e Hobbs comentam o seguinte:

Quer sendo pobre ou rico, qualquer pessoa livre tinha o direito às alegrias do casamento. O casamento não era concebido como algo de cariz religioso no Egipto - não havendo evidência deste tipo de cerimónias celebradas por um sacerdote -, mas sim uma convenção social que requeria um acordo, algo semelhante a um contrato negociado entre o pretendente e a família da futura esposa. Este envolvia a troca de objetos de valor de ambas as partes. O pretendente oferecia uma soma monetária, conhecida por “oferta da virgindade”, para compensar a noiva por aquilo que ela iria perder, indicando que naqueles tempos a virgindade era algo muito prezado entre as mulheres. No caso de um segundo casamento, esta oferta não sucedia, apenas se oferecia um "presente para se tornar noiva". Em muitos casos, ambos os presentes não eram entregues até que o casal se casasse. Contudo, em caso de divórcio, qualquer uma das partes podia processar a outra pelo presente acordado. (88)

Os casais no Antigo Egipto também assinavam acordos pré-nupciais que favoreciam a mulher. Se um homem dava início ao processo de divórcio, perdia todo o direito em recuperar os seus bens e era obrigado a pagar uma pensão à ex-mulher até que esta se cassasse ou solicitasse o cessar do pagamento. As crianças fruto do casamento ficavam com a mãe na casa onde residiam, a não ser que a habitação fosse propriedade da família do pai.

Sabu's Family Group Statue
Sabu's Family Group Statue
by Osama Shukir Muhammed Amin (CC BY-NC-SA)

O controlo da natalidade e os abortos eram aceites entre mulheres casadas e solteiras. O papiro Ebers - papiro médico, c. 1542 AEC - contém uma passagem sobre como os egípcios lidavam com o controlo da natalidade: "Prescrição para uma mulher não ter filhos durante um, dois ou três anos. Moer várias tâmaras misturando-as com um pouco de mel. Juntar sementes ao preparado anterior e inseri-lo na vagina" (Lewis, 112). Apesar da virgindade ser tão prezada pelos homens, não era um pré-requisito as mulheres serem virgens ou que assim se mantivessem até à sua noite de núpcias. A vida sexual de uma mulher, antes do casamento, não era um assunto de grande importância. As únicas advertências entre egípcios estavam relacionadas com mulheres que tentassem afastar as esposas dos maridos. Os egípcios acreditavam que um casamento estável contribuía para a paz da comunidade, sendo do interesse de todos que um casal permanecesse junto. Acreditava-se também que a vida terrena era apenas parte da jornada eterna do egípcio, esperando-se que a vida e os momentos vividos valessem a pena.

Relevos, gravuras e inscrições retratam maridos e mulheres a comerem, a dançarem, a beberem e a trabalharem juntos nos campos. A própria arte egípcia enfatiza aquilo que se pretendia na altura, que as pessoas disfrutassem da felicidade, do casamento e que ficassem juntas para sempre. Os poemas de amor eram extremamente populares no Egipto, nos quais era exaltada a beleza da namorada ou esposa, jurando amor eterno com frases bastante parecidas com as atuais: "Nunca estarei longe de ti / Enquanto que a minha mão estiver na tua / Eu vou passear contigo/ Em todos os teus lugares favoritos" (Lewis, 201). Os personagens deste poema são ambos masculinos e femininos e apelam ao romance. Os egípcios tiravam grande partido dos simples momentos da vida e não era preciso ser da realeza para disfrutar da companhia de um amado, da esposa, da família ou dos amigos.

Rainhas egípcias e os Presentes Perdidos de Ísis

Não há como negar o luxo em que viviam muitas rainhas e algumas das esposas do palácio real. O palácio de Amenhotep III em Malkata extendia-se a mais de 30 hectares onde se contavam habitações espaçosas, quartos de conferências, divisões de audiências, uma sala do trono, cozinhas, um harém e um templo ao deus Amón. As suas paredes exteriores brilhavam intensamente de branco, enquanto que as cores do seu interior variavam entre o azul, o dourado e verdes vibrantes. As mulheres que viviam em contextos palacianos tinham acesso a um requinte e luxos inimagináveis, bem mais do que as restantes classes, nunca esquecendo os seus deveres e responsabilidade em manter a Ma'at.

A egiptóloga Sally-Ann Ashton escreve, "Num mundo dominado por faraós masculinos, é difícil compreender totalmente o papel das rainhas. Um faraó tinha um determinado número de esposas, mas a mais importante detinha o título de "Esposa Principal" (1). O seu papel variava consoante o faraó. No caso da rainha Tiye (1398-1338 AEC), esposa de Amenhotep III, esta lidava com assuntos do Estado, atuava como diplomata e teve ainda o seu nome inscrito num cartucho, como um rei. Nefertiti (c. 1370-1336 AEC), esposa de Akhenaton, tomava conta da família e ajudava o marido a governar. Quando Akhenaton cessou a sua atividade enquanto governante, dedicando-se à nova religião monoteísta, Nefertiti assumiu as suas responsabilidades."

Queen Nefertiti
Queen Nefertiti
by Philip Pikart (CC BY-SA)

Grandes rainhas vêm surgindo desde o Período Pré-dinástico, como caso de Merneith (c.3000 AEC) que governou como regente do seu filho Den. A rainha Sobeknefru (c.1807-1802 AEC) assumiu o trono durante o Império Médio e governou enquanto mulher. Hatshepsut da XVIII Dinastia, segue o exemplo de Sobeknefru e coroa-se ela própria como faraó. Ainda hoje, Hatshepsut continua a ser considerada a mulher mais poderosa de todo o Mundo Antigo e entre todos os faraós do Antigo Egipto.

Embora as governantes femininas serem uma minoria no Antigo Egipto, as rainhas não o foram. As suas responsabilidades e atividades continuam por documentar ou, pelo menos, estão por traduzir, mas não há dúvida - baseando-nos na informação que se encontra disponível -, tais mulheres exerceram uma influência considerável nos maridos, nos tribunais e no país.

O estatuto das mulheres no Egipto era incrivelmente avançado para a altura.

No começo dos tempos, quando Osíris e Ísis governavam o Mundo, conta-se que Ísis teve de presentear a Humanidade com singelas ofertas, entre as quais estava a igualdade entre homens e mulheres. Esta lenda ilustra o elevado estatuto de que a mulher egípcia disfrutava. Brier e Hobbs sublinham que "o status das mulheres era incrivelmente avançado para a altura" (89). Qualquer um pode afirmar que o seu estatuto foi um dos mais avançados que nos surgem ao longo da história da Humanidade até ao presente. Uma mulher no Antigo Egipto tinha mais direitos do que qualquer outra nos dias de hoje.

A igualdade e o respeito pela mulher permaneceram até à Dinastia Ptolemaica (323-30 AEC), a última que governou o Egipto antes do domínio romano. Cleópatra VII (c.69-30 AEC), a última rainha egípcia, está entre os personagens mais emblemáticos da liberdade e igualdade de género, governando o país muito melhor que aqueles que a precederam e que os que tentaram governar a seu lado. O estatuto da mulher entra em declínio com o advento do Cristianismo no Egipto no século IV EC, dada a crença de que Eva, enquanto mulher, introduziu o pecado no Mundo. Assim sendo, legitimamente o poder devia ser conferido aos homens, quem daria mais confiança ao sistema. A invasão árabe do século VII EC trouxe o Islão para a terra dos Faraós e assim termina a igualdade de género no país por mais de 3000 anos. 

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Sobre o Autor

Joshua J. Mark
A freelance writer and former part-time Professor of Philosophy at Marist College, New York, Joshua J. Mark has lived in Greece and Germany and traveled through Egypt. He has taught history, writing, literature, and philosophy at the college level.